Faço de Mim o Que Quero

Doc, 19′, 35mm, 1:1,85, Brasil, 2009

FAÇO DE MIM O QUE QUERO é uma viagem por um universo sonoro e visual de um estilo – o Brega – que ultrapassa a fronteira musical.  Ele se manifesta no dia a dia da cidade, seja na labuta de vendedores ambulantes de cd´s, na divulgação em bicicletas sonoras, no abuso do alto volume de som de carros, na dança improvisada dos bares e beiras de calçadas, como também em roupas onde a transparência da roupa é um código revelador compartilhado por ídolos e público.

Retrata o ambiente em que é desenvolvida a cultura brega: os bastidores dos shows, os programas de auditório, as composições, ensaios, gravações, cuidados com o figurino e aparência, o contato dos artistas com o público, os fã-clubes e a expressão das danças. As pessoas que trabalham para esta cena, como costureiras, figurinista, técnicos, músicos, dançarinos e empresários são os personagens reais do filme. O documentário apresenta uma cultura periférica criada, gerida e consumida por pessoas comuns.

O  documentário “FAÇO DE MIM O QUE QUERO” é uma impressão audiovisual de um fenômeno cultural que passeia por ruas de uma cidade onde periferia, centro e bairros tem fronteiras permeáveis. Onde botequins, praias, feiras, mercados e calçadas são territórios livres para vendedores de cds piratas. Onde artistas como Tairone e Cigano, Kelvis Duran, Conde e banda Só Brega fazem de si o que querem, inventando personas de apelo pop. Onde personagens simples, mas espalhafatosos, praticam uma música que toca fundo e em alto som na maioria da população recifense.

 CRÉDITOS

Direção Sergio Oliveira e Petrônio de Lorena | Roteiro Sergio Oliveira, Petrônio de Lorena e Renata Pinheiro | Direção de Fotografia Pedro Urano | Direção de Arte Renata Pinheiro | Montagem João Maria | Som direto Evandro Lima | Designer de som Maloca Estúdio | Música original Rodrigo Mell | Direção de Produção Roberta Garcia | Participações especiais Conde do Brega, Samara Cipriano, Rodrigo Mell, João do Morro, Kelvis Duran, Dj Binha, Vício Louco e outros | Produção Aroma Filmes, Sergio Oliveira e Petrônio de Lorena

NOTAS DO DIRETOR

A música brega é uma expressão musical de grande penetração cultural. Calcada em ritmos variados de origens diversas (afro, latino-americano e norte americano), o Brega  não se constitui propriamente um ritmo, mas uma atitude estética de grande apelo popular alicerçado no romantismo dramático, e muitas vezes “vulgar”, com letras embaladas pelo  balanços binário percussivo de metais e instrumentos eletrônicos, além de uma sensualidade exacerbada verificada na performance de  cantores e bailarinos.

Ainda não há um filme ou vídeo que tenha deitado um olhar antropológico sobre uma cena que nasce, cresce e vive sem precisar de grandes corporações fonográficas ou da grande mídia para se promover. A música brega está calcada nas camadas mais populares da região Metropolitana do  Recife (e também das grandes, médias e pequenas cidades nordestinas). A sua penetração parece onipresente. Além de tocar em todos os bares e calçadas de bairros de periferia recifense; não há feira, nem comércio popular, ou praia, ou festa de rua que ela não esteja presente. De tão entranhado no seu meio, o estilo musical do Brega não nega a sua miscigenação cultural. Possui uma interface com vários ritmos populares de diversas regiões do país, como  o carimbó e o sirimbó do Pará; e também da América Latina, como o merengue, o bolero e calypso do Caribe. Em Pernambuco, o brega existe desde  fins dos anos 60 com Reginaldo Rossi, Carlos Alexandre, Ovelha, Kátia Cilene e outros  que solidificaram esse estilo, sempre presente em rádios populares e  shows na periferia de pequenas e grandes cidades.  O recente fenômeno do brega recifense é o foco do documentário FAÇO DE MIM O QUE QUERO.  

Até os anos 90 a música brega era  considerada cafona pela maioria da elite da MPB, do rock, por intelectuais e universitários.  Atualmente o universo brega se tornou um emblema cult, que confere, em muitos casos um ar anedótico aos personagens típicos do seu ambiente.  Em Pernambuco a banda “Tanga de Sereia”,  formada por jovens de classe média, reproduz o estereótipo do modelo brega para criar situações dramáticas nas letras geralmente cantadas na primeira pessoa feminina, que refletem clichês do imaginário popular com  personagens caricatos como a  mulher traída,  a “rapariga”, o homem grosseiro de pouca educação e atos rudes.

No entanto, a estética brega não está restrita ao ambiente de empregadas domésticas, donas de casa e pessoas que vivem nas periferias ou interiores.  É comum observar na região da zona sul da cidade do Recife, em lojas de conveniências de postos de gasolina, jovens com carros do ano ouvindo em alto e bom som o mais  atual dos bregas. Muitas vezes em tom de deboche, mas acabam se tornando consumidores.

O documentário também envereda pela vida de diversos artífices deste cenário musical  que gera milhares de empregos diretos e indiretos no estado, e tem na informalidade comercial o seu padrão de divulgação.

“FAÇO DE MIM O QUE QUERO” é um documentário que foca um cenário cultural presente na realidade da cidade do Recife em que a estética da periferia avança a passos largos. O documentário se atem a uma cena sem esboçar juízo de valores culturais de bom ou mau gosto e sim a uma realidade que inegavelmente acontece.

FESTIVAIS E PRÊMIOS

  • Prêmio aquisição Canal Brasil no Cine PE 2010
  • Melhor Documentário no Festival Internacional de Curtas Metragens do Rio de Janeiro
  • Melhor Filme do Festival Internacional de Curta Metragem de Belo Horizonte
  • Melhor Documentário no Curta Cinema 2010
  • Menção Honrosa no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2010
  • Prêmio Aquisição Porta Curtas no Goiânia Mostra Curtas 2010
  • Melhor Direção de Arte no Vitória Cine Vídeo 2010
  • Prêmio ABD no Cine PE 2010

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